Um Punhado de Merda Mole - O Blog do Ferro
   Às vezes!

 

O mesmo horário

A mesma mórbida e cotidiana manhã

A ‘brisa’ na cabeceira da cama

O banho quente de água que faz barulho de chuva na touca de banho

 

A mesma rua

O mesmo andar

A mesma cena

 

O filme se repete

 

O cenário, o mesmo de anos.

A trilha, velha e cheia de lembranças.

A vida que torna a se repetir

 

D.i.a.r.i.a.m.e.n.t.e.

 

Às vezes cansa!



Escrito por Rafael Ferro às 19h16
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   Pombos...

O mais belo lábio rosa de gente.

O olhar de pupila de jabuticaba.

O corpo esguio como o daquela pomba.

 

Sim... Aquela pomba que agora mesmo,

Enquanto eu vislumbrava e desejava a sua imagem,

Foi atropelada na esquina ao lado de casa.

 

Vi hoje um Hare Krishna (e sua trança excêntrica) entrando em uma academia de ginástica.

 

Logo depois, voltei a rever a pomba,

Que agora jazia em pedra e pó.



Escrito por Rafael Ferro às 18h42
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   CRISTÃO

 

Amor é a mordida de um cachorro pitbull que levou a coxa da laurinha e a bochecha do Felipe. Amor que não larga, na raça. Amor que pesa uma tonelada. Amor que deixa, como todo grande amor, a sua marca.

Amor é o tiro que deram no peito do filho da dona Madalena. E o peito do menino ficou parecendo uma flor. Até a polícia chegar e levar tudo embora. Demorou. Amor que mata. Amor que não tem pena.

Amor é você esconder a arma em um buquê de rosas. E oferecer ao primeiro que aparecer. De carro importado. De vidro fume. Nada de beijo. Amor é dar um tiro no ente querido se ele tentar correr.

Amor é o bife acebolado que minha mulher fez pra aquele pentelho comer. Filhinho de papai, lá no cativeiro. Por mim, ele morria seco. Mas sabe com é. Coração de mãe não gosta de ver ninguém sofrer.

Amor é o que passa na televisão. Bomba no Iraque. Discussão de reconstrução. Pois é. Só o amor constrói. Edifícios. Condomínios fechados. E bancos. O amor invade. O amor é também o nosso plano de ocupação.

Amor que liberta, meu irmão. Amor que desce o morro. Amor que toma a praça. Amor que, de repente, nos assalta. Sem explicação. Amor salvador.

Cristo mesmo que nos ensinou.

Se não houver sangue, meu filho, não é amor.

 

[Marcelino Freire]



Escrito por Rafael Ferro às 11h56
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Garoa

 

 

Brilho na noite

Teu olhar conta gotas em meu corpo

 

Inundo a rua

 

(Wael)



Escrito por Rafael Ferro às 13h44
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   Lembranças...

Em 27 de fevereiro de 2007 eu 'diria' isso abaixo:
 
----- Original Message -----
From: comercial@...
To: ...
Sent: Wednesday, February 27, 2007 10:50 AM
Subject: Ontem!
 
ontem depois de falar com você, comecei a rabiscar algumas coisas,
em um velho caderno colorido,
e descobri quão grande é o que eu sinto por você.
 
não consigo conceber a idéia de estarmos longe.
o porque que tem que ser assim: você aí, eu aqui.
 
não quero nunca mais voltar aquelas nóias.
não quero respostas. não.
não quero compaixão. não quero culpa, nem culpado.
não quero ilusão, nem de ótica.
não quero ser compreendido.
não quero nada. nem quero o mundo.
não quero as pessoas. não.
só quero uma coisa!
 
você
é a distância mais próxima que já senti.
 
eu diria trinta e oito mil, quatrocentos e cinquenta e quatro vezes que te amo.
vinte dois mil, oitocentos e quatro beijos te daria em uma noite.
te levaria para a lua por incontáveis manhãs.
faria o sol brilhar a cada dia de chuva, por pura insistência para te agradar.
me certificaria que apenas uma vida seria impossivel pra te amar.
 
foi isso que escrevi, ontem, quando já era noitinha no meu velho caderno colorido.
 
hoje, desbotado.
 
um beijo.
r.


Escrito por Rafael Ferro às 16h44
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   Amanhaceu

 

Raio de luz pela janela

Calor matinal

Em nuca suada

 

O corpo colado no corpo

 

Cansaço explícito e físico

Cheiro de noite intensa

Uma manhã desnecessária pra raiar

 

O corpo colado no corpo

 

O respirar ainda sôfrego

O peito acelerado em batidas

O largo sorriso gozoso vivido

 

O corpo colado no corpo

 

A radiola na cabeceira da cama,

Cantando um velho blues sobre o amor

E a cabeça repousada no peito

 

O corpo colado no corpo

 

P.e.g.a.a.m.a.b.e.i.j.a.s.e.n.t.e.c.h.o.r.a.g.e.m.e.g.o.z.a.

P.e.g.a.a.m.a.b.e.i.j.a.s.e.n.t.e.c.h.o.r.a.g.e.m.e.g.o.z.a.

P.e.g.a.a.m.a.b.e.i.j.a.s.e.n.t.e.c.h.o.r.a.g.e.m.e.g.o.z.a.

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Escrito por Rafael Ferro às 15h42
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   Mais uma...

 

A crueldade com gosto amargo de fel.

Indecisão a beira de um ataque de nervos.

Reencontro perdido na hora marcada.

Ausência de frio e calor.

 

I.nex.pres.si.vi.da.de.

 

Teve a leve sensação de que as pontas de seus dedos vermelhavam e endureciam

como os lábios que já escuros despontavam em sangue pisado.

 

(A queda da babilônia expelida pela narina esquerda).

 

A rouquidão em voz gritava e pedia assim:

 

‘Apenas as cicatrizes... Sim, arranque apenas essa mancha roxa em meu braço’.

 

Mais uma:

Foi recebida ao grande ciclo do caos,

(Mais uma) a grande roda gigante de nhec nhec de horrores.

 

‘Seja bem vinda à vida’. (Ao que chamamos de gozo extraído pelo sexo (dês) virginal).

 

E repetia:

‘Por favor, eu já disse, apenas as cicatrizes’.

 

À meia noite do dia 04 de um mês qualquer,

Teve o pulmão direito perfurado por quinze tiros de escopeta,

Suas mãos foram arrancadas para que nunca mais fossem beijadas,

Em seus olhos cravaram-lhe duas pétalas de flor.

 

Seu coração?

 

Não sei!

 

Nunca mais tive notícias.



Escrito por Rafael Ferro às 10h53
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   Os três mosqueteiros

 

O sorriso mais belo estampando na camisa listrada.

O cachecol enrolado no peito que dispara largos sorrisos.

O pé de meia branca mais vivo que todas as cores quentes juntas.

 

P.S.: A vida só têm me dado presentes!

 

[vida longa e plena pra sempre]



Escrito por Rafael Ferro às 11h57
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Porque existe a distância?

 



Escrito por Rafael Ferro às 11h40
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   O Botão de Flor (Surgiu Assim...)

 

Surgiu assim:

 

Quando era noite,

Quando a lua ainda remetia seu ar de supremacia,

Quando apenas imperava o olhar.

 

Surgiu assim:

 

Repentinamente,

Na brevidade da vida,

No momento mais oportuno.

 

Surgiu assim:

 

Com um largo sorriso tímido,

Com uma voz doce e macia,

No ápice do viver.

 

Hoje brotou em minha janela, um pequeno botão de flor.

 

Surgiu assim.

 

Assim.



Escrito por Rafael Ferro às 11h44
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Hoje senti de novo,

 

O coração bater forte nas costas.

 

Nas costas!



Escrito por Rafael Ferro às 16h51
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   O Melhor Remédio

Às vezes ele não quer falar.

Digo, por pressão.

É... Às vezes não quer falar porque está sob pressão.

 

É melhor esperarmos o sangue estancar.

Aí sim, falamos sobre o assassinato de seu pai.

 

Sugiro que tiremos de suas veias o DNA materno,

Assim o mesmo não sentirá mais a falta da mãe que não vê há décadas.

 

Sobre o ferimento:

Rosas azuis.

 

Já dizia minha avó que o melhor remédio é à dor.

 

Por favor, não abortem dele o peso nem a culpa.

 

Que viva como antes.

 

Com dor.

Ferido.

Sem pais.

Assim:

Mais um; só.



Escrito por Rafael Ferro às 11h08
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Um brinde à vida

Que até a morte premia com sua entrega!

 



Escrito por Rafael Ferro às 15h19
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   O Homem

Envolto em velhos panos rasgados, o homem de pele negra e olhos brancos como o azul do céu, se esvaia em choro.

Seu pranto de dor podia ser escutado há uma distância de duas vidas.

 

(distância de distância saudosa; parecida com aquela de pessoas que vão pra nunca mais voltar).

 

Seu largo sorriso amarelo dava lugar à enxurrada de gotas vermelhas que caíam de seus olhos.

Sua boca balbuciava um leve gemido de angústia e dor.

Foi assim, findando a vida ao amanhecer.

 

Nascia o sol

Morria a lua



Escrito por Rafael Ferro às 17h39
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   16 graus.

 

Hoje

Noite

Frio

Você

Cama

Cobertor

Chá

Meia no pé

Corpo no meu

Quente

 

Cadê você aqui?!



Escrito por Rafael Ferro às 13h10
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