Aqui, Jaz!

Era naquele cubículo onde previa suas futuras agonias de vida. Ali, recebia os mais diversos presentes: De flores a jasmim! Jazia ali, desde seus dois anos de vida. Aos nove não queria mais saber de surpresas. Cansava da vida reduzida ali. Sabia o que lhe cabia como ser. Conhecia o viver no escuro. Jazia e de - jazia em pranto e riso. Achava divertido duvidar. Tinha medo do que viera antes. Não queria mais a dor. Optou por consumir em seus dias, o sabor fresco da morte. Então a cada nova manhã, Lambia os beiços e sugava os dedos, como quem deseja mais. Da dor não se lembrava mais. Da vida que falta, sim. Daquilo distante, sabe... O que não sei. Onde não vou. O que não posso. A margem de onde me puseram. A margem de mim mesmo.
Escrito por Rafael Ferro às 15h10
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